Como começar a ler livros usando o Smartphone

Antes de tudo, gostaria de fazer duas perguntinhas para que esse texto seja o mais produtivo e você não se sinta enganado no final dele.

Primeira pergunta: O seu celular tem uma tela relativamente grande? Mais ou menos 5 polegadas? Se a resposta for "Sim", saiba que leitores digitais como o Kindle têm cerca de 6 polegadas de tela. Quanto mais próximo disso, melhor. Quanto mais quadrada for sua tela, melhor também. Se a resposta for "Não" a todas estas perguntas, considere com carinho a sua resposta para a próxima pergunta.


Segunda pergunta: Você tem alguma dificuldade para ler textos no seu celular? Seja artigos de jornais, textos no Facebook, este texto ou até mesmo longas conversas no Whatsapp. Se a resposta for "sim", então você pode ter dificuldade para ler livros no celular e este texto não vai fazer muita diferença, mas sinta-se a vontade para ler e experimentar as minhas dicas. Se a resposta for "não" e você já se acostumou a ler coisas no celular, vai fundo no texto :)



CONTRAS DOS LIVROS FÍSICOS


Usar livros físicos tem seus prós e seus contras. Para que o texto não fique muito longo, eu vou ser objetivo e falar dos contras, que é o me faz dar preferência, na maioria das vezes, para os apps de leitura.

Peso: mesmo comparados ao peso de um livro de bolso, a maioria dos celulares costumam ser mais leves. Andar com um livro pode ser um peso a mais na sua bolsa, enquanto o celular você provavelmente leva pra todo canto. Não importa se o livro tem 10 ou 2000 páginas, o peso do celular vai ser o mesmo.

Iluminação: se você estiver em um ambiente com pouca luz, como um quarto, terá que acender algum tipo de iluminação para conseguir ler. Se não for uma luz muito bem direcionada, sombras poderão atrapalhar a leitura, obrigando você a mudar de posição para conseguir ler. No celular esse problema não existe, pois os smartphones contam com um display de led. O único problema é que se você for ler no sol, poderá sofrer com reflexos.

Aquisição: no geral, os livros físicos são adquiridos por compras ou empréstimos. O acesso não é imediato. Talvez você se interesse por alguma obra e esta demore alguns dias para estar em suas mãos. E isso, claro, vai exigir tempo e dinheiro. Apesar de livros digitais serem vendidos, você pode ter acesso a diversos títulos de forma gratuita, seja pela pirataria ou adquirindo os que estão em domínio público. Eu gosto bastante de comprar livros físicos, mas nem sempre tenho dinheiro.

Confesso que dos 3 contras o que mais me incomodava era o fator da iluminação. Eu costumo ler durante a noite e tinha que ficar com a luz ligada para poder ler, além de ter que encontrar a melhor posição para a minha própria sombra não atrapalhar a leitura.

FORMATOS DE ARQUIVO


Muitas pessoas ao se interessarem por ler livros no celular (ou computador), costumam usar o formato de arquivo .PDF. Este formato não é recomendado para a leitura em dispositivos digitais. Se você já tentou ler algo neste formato no seu smartphone, provavelmente percebeu que não foi uma experiência muito agradável. Isso se deve ao fato dele não ter sido criado para leitura em dispositivos digitais, e sim para ser impresso. Os textos do meu blog, por exemplo, são feitos exclusivamente para serem lidos digitalmente, pois os textos se ajustam a diversos formatos de tela, seja de computador ou de smartphone. Por isso que você consegue ler notícias e textos nas redes sociais. O principal formato para livros digitais é o .EPUB, pois ele se ajusta a tela do dispositivo que você está usando. Há também o .MOBI, que é usado nos leitores Kindle (e isso inclui o app).

LEITORES


Há vários leitores de e-books, eu só posso falar dos que são para Android pois só tenho acesso a esta plataforma. Após pesquisas, eu posso recomendar dois: Kindle e o eReader Prestígio: Leitor. Eles são bem parecidos, mas são diferentes em muitos aspectos. Se você pretende comprar títulos, o Kindle é a melhor opção. O Prestígio é mais um leitor de arquivos, pois não possui uma loja integrada. O Kindle também possui a opção de ler arquivos, mas ele deve estar no formato .MOBI e deve ser enviado para a  nuvem da sua conta. Você pode converter .EPUB para .MOBI online. Nos dois há a possibilidade de ler os livros na nuvem, ou seja, você envia o arquivo e ele fica armazenado online e se você apagar o arquivo do celular, ele estará seguro. O Kindle usa sua conta da Amazon para armazenar os arquivos. Já o Prestígio, usa sua conta do Google Drive. O Kindle se destaca por ter um dicionário embutido, então, caso tenha dificuldade para entender uma palavra, basta pressioná-la que aparecerá uma pequena janela com o significado dela. Pra quem estuda inglês, há um tradutor que funciona da mesma forma. Nos dois apps há marcadores de textos disponíveis. A principal desvantagem do Prestígio é que se você estiver conectado a internet, ele exibe propagandas, mas só na biblioteca e quando você sai da tela de leitura, nunca durante.


Bibliotecas dos apps, com os temas padrões. Kindle e Prestígio, respectivamente.

AJUSTES PARA UM MELHOR CONFORTO

Caso você não saiba como colocar um arquivo nos aplicativos, pule para o Tutorial.
Há diversas maneiras de melhorar o conforto para a sua visão enquanto lê um livro no seu celular. Dependendo da hora que você quer ler, pode ser que necessite da ajuda de outros aplicativos e configurações. O básico, é configurar o texto ajustando o espaçamento entre linhas e palavras, aumentando e diminuindo as letras e escolhendo uma fonte que te agrade. Se você deseja ler no escuro, a noite, aconselho que use o modo escuro dos aplicativos. Geralmente pode-se escolher entre branco, sépia e preto. Durante a noite, escolha o preto. Deixe o brilho do celular no mínimo. Há aplicativos que diminuem ainda mais o brilho do celular, além de aplicar um filtro de luz azul, como é o caso do Filtro de Luz Azul - Modo Noturno, Dormir Bem (que nome, hein) . Ele me ajuda muito, quase não há luz no meu rosto quando estou lendo a noite. Você pode ajustar o texto do jeito que quiser. Estarei deixando um pequeno tutorial de como configurar isso.




As configurações de texto do Kindle. As do Prestígio são bem parecidas.

TUTORIAL

Passo 1 - Escolher o livro: procure o arquivo do livro que você quiser ler. Um bom site é o LeLivros, mas é melhor pesquisar no Google pelo nome do livro seguido do arquivo. Por exemplo: Frankenstein .EPUB (ou .MOBI). Caso não ache em .MOBI, tente converter de .EPUB para .MOBI

Passo 2 - Colocando o livro no app: no caso do eReader Prestígio, ele faz uma análise nos seus arquivos procurando os que são compatíveis ou os que você selecionar.


O Kindle é um pouco diferente. Depois de ter criado uma conta, você precisa procurar o arquivo do livro em algum gerenciador de arquivos e pressioná-lo, clicar em compartilhar e depois procurar a opção "Enviar para Kindle". Pode não estar exatamente como está na tela do meu celular, mas é tudo bem semelhante. O arquivo será enviado para a sua conta, o que significa que se você quiser apagá-lo do seu celular, você pode.



Passo 3 - Configure o texto: explore as configurações e vá deixando o texto do jeito que você quer ler. Eu costumo deixar do jeito que está na imagem, só aumento um pouco as letras. Caso você sinta um desconforto, o que eu aconselho é aumentar o espaçamento entre as linhas e aumentar as letras. 


As configurações no eReader Prestígio são bem semelhantes às do Kindle, mas o Prestígio traz opções mais avançadas.


Passo 4 - Modo Noite: se você pretende ler no escuro, aconselho que você deixe o brilho do celular no mínimo e use o modo de cor preto. Além disso, baixe o app Filtro de Luz Azul - Modo Noturno, Dormir Bem. Ajuste a opção de escurecimento de tela de acordo com a sua preferência.


A luz no seu rosto enquanto você estiver lendo será bem menor.


Caso você esteja com dificuldades de enxergar, diminua o escurecimento da tela.

COMPRANDO NA LOJA DA AMAZON

Para comprar um livro, basta procurar por ele, clicar em comprar e preencher os dados de pagamento e pronto! O download será iniciado.
Há também a possibilidade de encontrar obras em e-book que ficam temporariamente gratuitas, basta explorar o site da Amazon ou o app.  


Recomendação: caso queira explorar a loja do Kindle, recomendo o livro Invasão Silenciosa, de Caio Rennery. Ele custa R$ 8,00 e é um ótimo livro pra quem gosta de ficção científica com uma pegada apocalíptica. Eu particularmente nunca fui fã de coisas pós-apocalípticas, mas eu adorei esse livro que por acaso foi escrito por um grande amigo meu. 


Então é isso gente! Eu já li 3 livros no celular usando estas dicas e pretendo ler mais. Se vocês têm alguma dúvida que eu não esclareci no texto, não esqueçam de deixar um comentário para que eu possa tentar ajudá-los. Se eu ajudei de alguma forma, compartilhe sua experiência comigo! :) 



Stardew Valley para Android: um desleixo com a plataforma mobile

Nota rápida: E aí galeri, vocês estão bem? Eu estou bem, obrigado. Passando aqui no comecinho do texto só para pedir aquela desculpinha por não estar postando tanto. O meu blog se parece muito comigo. Eu mudo, e ele também. Eu gostaria de aumentar o ritmo das postagens, então eu decidi postar com mais frequência, mas não com o mesmo tipo de texto. Os primeiros textos deram um pouquinho de trabalho e isso fez com que eu demorasse muito pra postar. Então, a partir de hoje, eu vou postar com mais frequência, porém, com textos mais rápidos. Claro, não vou deixar de fazer textos como os primeiros. Só vou acrescentar :)

Ah! E nosso podcast já está quase saindo! Já posso adiantar que ele vai estar em várias plataformas, como o Spotify, Google Podcasts, Anchor, entre outros. Então se liguem nas minhas redes para mais informações ;)


 A versão para Android foi lançada em 14 de março de 2019. (Imagem: Divulgação/Chucklefish)

Stardew Valley é um jogo top (inclusive eu já fiz um texto sobre ele e você pode conferir clicando aqui). O simulador agrícola vendeu aproximadamente 5 milhões de cópias, somando todas as plataformas. Conquistou o coração de diversos(as) gamers no mundo todo. Desbancando sucessos no Steam, vendeu 400 mil cópias nos dois primeiros meses de lançamento. É, de fato, um jogo de sucesso.

Ele foi fortemente inspirado pela série Harvest Moon. Esta, por sua vez, conta com a portabilidade da plataforma do Nintendo DSO que provavelmente encantou muito os fãs. Já Stardew Valley atualmente possui uma versão para o Nintendo Switch, que diga-se de passagem: é um grande sucesso, pois representa cerca de 20% das vendas total do game. Mas o Switch não tem muito a acessibilidade de um console portátil: o preço dele é de um console de mesa, e não está errado, pois ele também é isso. Stardew Valley é super leve e roda bem em qualquer coisa (confira os requisitos mínimos da versão para PC). Então, o que muitas pessoas se perguntavam era o porquê de não existir uma versão para Android. Se você não precisa de um PC gamer para jogá-lo, por que precisaria de um console? Há vários ótimos jogos em pixel art que têm sua versão para Android, como Kingdom: New Lands, Knights Of Pen and Paper, Chroma Squad e Dandara. Então, depois de muita insistência, finalmente começaram a portar Stardew Valley para a plataforma mobile.

A expectativa era grande. O que mais me preocupava era se a Chucklefish (responsável pelo game) conseguiria criar controles virtuais bons. Levando em consideração que na maioria das vezes este não é um jogo de ação, FPS, etc., o desafio não era grande. Mas conseguiram deixar desagradável a experiência no game.

Os controles são bons, mas não ter o suporte total para controles físicos chega a ser um desrespeito com as desenvolvedoras de joysticks para Android. Um jogo desse peso e controles simples, devia oferecer pelo menos mapeamento. Alguns usuários relataram problemas de desempenho, algo que nem se houve falar nas outras versões do game. Se você decide continuar um save que começou em outro dispositivo, então se prepare para ter bastante lag na sua fazenda. Outros usuários também relataram que o jogo simplesmente travava depois da noite do 6° dia (que foi rapidamente corrigido). O modo multijogador, algo tão importante pra quem gosta de jogar com os amigos, ainda não existe nesta versão. Alguns usuários acreditam que o modo irá chegar, mas sem uma previsão. Mesmo com todo o tempo de espera, desde os pedidos por uma versão para Android, da confirmação até o lançamento, a experiência que tive foi que é um port inacabado. Vale lembrar que o jogo já tinha sido lançado para IOS, em 24 de outubro de 2018

Usuário relata problemas no game, mesmo após uma atualização de correção de estabilidade, que aconteceu em 15 de março. (Imagem: Reprodução/Google Play)
Usuária relatou um problema que até então eu não conhecia. (Imagem: Reprodução/Google Play)


Algo semelhante aconteceu com Pokémon GO, mas ele é um jogo exclusivo, e não um game finalizado que já tinha ganhado vários prêmios e lucrado milhões em outras plataformas. Eu espero que o jogo seja finalizado o quanto antes para que eu finalmente possa jogá-lo. Custava nada ter lançado um beta antes, não é mesmo?

Estamos lendo menos?

No final do mês de outubro de 2018, a varejista de livros Livraria Saraiva anunciou o fechamento de (pasmem) 20 lojas em todo o Brasil. E isso não aconteceu só com esta empresa; a sua principal concorrente, Livraria Cultura, também enfrenta problemas para manter as lojas físicas em pé. Apesar da causa desses problemas estar relacionado ao comércio digital (ou e-commerce), levando em consideração a logística, o presidente da Associação Nacional de Livrarias, Bernardo Gurbanov, em entrevista ao NEXO JORNAL em julho de 2018  atesta que o baixo índice de leitura dos brasileiros ainda é um grande problema.



É evidente que a falta de interesse em livros por parte de nós, brasileiros, pode vir a ser um grande problema uma vez que as empresas dependem justamente de um público leitor para a venda de livros. Mas será mesmo que estamos pouco interessados em livros a ponto de fazermos com que livrarias fechem? 
Acredito que não. Livrarias são um ótimo ambiente para procurar livros novos e até mesmo ler. Muito diferente de procurar um livro pelo computador, digitar os dados do cartão, calcular o frete e efetuar o pedido. Mas o que faz com que as pessoas deixem de ir para estes lugares e adiram à compra por meio digital? Você provavelmente já pensou e com certeza vai concordar comigo: o preço. 

Eu particularmente não tenho dó de gastar muito em livros. O que pode me doer é saber que um livro que eu comprei em uma livraria física tenha sido comprado por duas vezes o preço do de uma livraria digital. E que em uma Black Friday, por um pouco mais, eu poderia ter comprado o box da saga daquele livro. E, acredito que, quanto mais acessível os livros se tornam, mais o público deveria ler, certo? Acredito também que foi isso que fez com que as empresas deixassem de brigar com a Amazon e passassem a aderir aos preços cada vez mais baratos. 

Galera, é sério, parece que eu tô defendendo que os livros devem ser vendidos a preço de banana, mas o que quero dizer é que as livrarias estão finalmente sacando que o preço por elas estabelecido era um pouco abusivo para o público geral. Aqui em Fortaleza, no Ceará, a maioria dessas livrarias ainda ficam em bairros nobres, o que pode justificar os preços mais altos. Já cheguei a comprar O Herói Perdido (da saga Os Heróis do Olimpo) por R$45,00 em uma livraria localizada em um bairro nobre, e o preço normal do livro (fui descobrir depois) era entre R$25,00 - R$30,00, sendo o preço mais barato referente ao preço na internet. 

Mas aqui que entra outra discussão: somos uma nação que lê pouco?
Acho que isso é sim verdade, mas o que realmente deveria importar quando há esse questionamento é: somos uma nação que consome poucas narrativas?
Nesse caso, acho que a resposta é: não. 

A leitura, acredito eu, sempre foi mal apresentada, principalmente para os jovens. Crescemos lendo histórias do nosso folclore e histórias fantásticas mais clássicas como Chapeuzinho Vermelho, crescemos assistindo histórias magníficas na TV (Catalendas é um ótimo exemplo) para chegarmos à adolescência e a leitura ser apresentada pela escola com romances clássicos da literatura brasileira que na maioria das vezes são histórias baseadas num cotidiano ao qual não pertence mais ao jovem contemporâneo, ou seja, nada daquilo que estávamos acostumados, nada fantasioso que atraia a mente infantil/adolescente, que em sua maioria, adora coisas fantasiosas. Não os admira que histórias como as da saga Crepúsculo, cuja narrativa trate de um um romance com vampiros e lobisomens, seja mais atrativo para adolescentes do que os vários livros renomados da Literatura Brasileira? 
Eu tiro pelo meu exemplo: cresci ouvindo e lendo histórias. Adorava criar histórias com meus brinquedos e às vezes na hora de dormir, me via pensando em uma história em que eu era o personagem. Mas a medida que eu ia progredindo na escola, me era apresentado uma literatura que não me despertava interesse e essa era a ideia de literatura que, para mim, foi se concretizando no decorrer dos anos. Resultado: só fui ler o primeiro livro aos 13 anos, depois de ter assistido um filme baseado nele. Ou seja, no meu caso, a literatura só pôde entrar com força na minha vida por meio de outra mídia

Engana-se quem acha que não temos um grande acervo de obras brasileiras que atrairiam os olhares e despertariam o interesse das crianças e adolescentes por Literatura. Apesar de não tê-lo lido ainda, A Rainha do Ignoto, de Emília Freitas, mostra o quão fantástica nossa literatura é. Ou seja, temos as obras, mas não temos o terreno pronto, pois alguém, em alguma época, teve a "brilhante ideia" de apresentar somente literaturas já consagradas aos jovens, que mudam de geração a geração. Imaginem a minha frustração (que creio que compartilhada por alguns de vocês) ao perceber que a literatura que me agradava não era brasileira. Com a globalização, crescemos com a influência de diversas culturas, mas ainda sim a mais forte é a nossa. Só que, infelizmente, quando procuramos alguma coisa que nos atrai para lermos nos livros brasileiros, podemos não encontrar, mas quando pensamos em histórias com dragões, reis e cavaleiros, a literatura estrangeira faz-se muito mais presente. Alguns autores brasileiros usam esse terreno para atrair leitores, como acredito que seja o caso de Raphael Draccon, entre outros. 

Mas isso explica o baixo índice de leitura dos brasileiros? Claro que não, apesar de ser um motivo que contribua bastante pela falta de interesse. Com eu disse anteriormente, a literatura é mal apresentada para nós, durante nosso desenvolvimento. Nós adoramos narrativas e a falta de interesse nos livros não afeta nosso grande interesse por narrativas. Se os livros não nos agradam, procuramos histórias em outras mídias. É evidente que enquanto temos um baixo índice de leitura, nós consumimos séries como se não houvesse amanhã. Eu poderia apresentar dados que provem isso, mas prefiro que você olhe ao seu redor. Eu nunca vi meu irmão lendo um livro, mas sempre o vejo assistindo vários seriados. Também lembro que quando a literatura estava  me afastando dela, eu estava jogando games, que por sua vez, também possuiu narrativas. Sem falar nos animes, que tem um grande público. 

Antes de criticarem crianças e adolescentes que leem livros de youtubers sobre aventuras de Minecraft, saibam que eles estão tendo a oportunidade de serem apresentados a literatura da forma natural que não tivemos. Eles assistem esses tipos de histórias em vídeos e depois leem os livros. O que aconteceu e acontece com maior parte da população brasileira, é que eles são apresentados a histórias durante a infância e quando estão crescendo a literatura é mostrada de uma maneira diferente.

Eu acredito que algum dia nossa literatura seja, de fato, valorizada, mas acho que ainda temos uma longa caminhada pela frente. As escolas precisam resgatar o que há no nosso imenso acervo, além das obras canonizadas por instâncias legitimadoras majoritariamente elitistas, para que os novos autores que estão escrevendo histórias (algumas baseadas no nosso folclore) tenham vez no mercado.




Muito obrigado para vocês que leram até aqui! <3
Falei besteira? Discorda? Gostou do que escrevi? Comente! Compartilhe!
Não esqueçam de usar o campo de comentários para conversar sobre o post. Todos podem escrever e abrir uma discussão saudável.




Stardew Valley e o poder da imersão

Nota: este post não é feito com base em artigos e pesquisas científicas. Duvide de tudo que foi dito. As informações nele contidas podem servir para fins acadêmicos, pois de certa forma se tratam de um relato.

A vida está longe de ser fácil, meus amigos. Para mim, não importa como funciona seu mundo; a nossa experiência, influências e os graus de dificuldade que a nossa perspectiva dá aos problemas, determina como lidamos com eles. A mente de um paraquedista profissional momentos antes de um salto funciona totalmente diferente da de uma pessoa que nunca pulou. Isso provavelmente se deve ao nosso instinto de sobrevivência: quem nunca saltou de paraquedas, ficará muito mais tenso, pois o cérebro ainda estará avaliando os riscos daquela sensação desconhecida. Enquanto isso, o cérebro de um profissional já analisou bem aquela situação e por esse motivo lida bem melhor com ela. Peca bastante quem acha que isso só acontece em situações extremas (como saltar de um avião a metros de altura): estamos frequentemente avaliando riscos e tentando prever situações, faz parte da nossa natureza. Quem nunca viu um ônibus na vida, raramente ficará perto do meio-fio quando um se aproximar. Mas quem cresceu na cidade e está acostumado com tudo, não se preocupa no momento em que um ônibus passa a menos de um metro do seu corpo. 

Isso não acontece apenas enquanto nossa vida está ameaçada, mas também  quando nos sentimos ameaçados: sempre que planejamos algo e pensamos nas chances daquilo dar errado, estamos de certa forma nos protegendo de algo. Cada vez que temos um compromisso com hora marcada, nós procuramos saber onde ocorrerá, que horas e depois nos programamos para ir, pois a frustração de faltá-lo pode nos prejudicar. E é por este motivo que quando estamos atrasados, tendemos a aumentar nossa frequência cardíaca para o nosso corpo trabalhar mais rápido.

Nos cansamos fisicamente todos dias e é por esse motivo que precisamos dormir. O nosso corpo tem uma energia limite por dia, e cabe a nós distribuirmos essa energia com base nas nossas necessidades: se gastarmos toda a energia de uma vez só, teremos dificuldades em fazer outras atividades. Ou quando fazemos um exercício que não estávamos acostumados, tendemos a sentir dores nos músculos que foram trabalhados e isto geralmente acontece no dia seguinte, depois de termos descansado. Mesmo depois de um bom descanso, as dores ainda podem estar presentes nos músculos. O nosso cérebro não funciona diferente: ele é parte do nosso corpo e usa energia para trabalhar, se cansa e dói quando forçamos. Sempre que nossos músculos estão cansados, geralmente descansamos, mas como o cérebro descansa? Acredito que ele diminui a sua frequência de atividade, mas para isso não basta apenas deitar e fechar os olhos. Estamos pensando quase 100% do tempo e coordenar um descanso para nossa mente é essencial para a saúde.

Para um bom descanso, nós precisamos diminuir um pouco a frequência com que nosso cérebro trabalha. Nós temos diversos meios de fazer isso: que significa relaxar a mente ou "desestressar". Ouvimos músicas, assistimos a filmes, lemos, nos divertimos. É o que chamamos de entretenimento ("aquilo que distrai, entretém; distração, divertimento"). Um bom exemplo é vivenciar situações difíceis que uma hora vão se resolver sozinhas, pode ser um alívio para nosso cérebro. 

Como eu disse anteriormente, a vida está longe de ser fácil. Lidamos com muitos problemas durante o dia, querendo nós ou não. Isso sobrecarrega nosso cérebro, logo, nos cansamos. Achar um meio de entretenimento pode ser algo automático em nossas vidas, fazendo parte do nosso cotidiano. Muitas vezes, os meios que temos podem não ser suficientes, pois ainda podemos estar ligados com o que acontece a nossa volta. E é agora que começo a falar sobre o poder da imersão.

É totalmente comum que você não consiga relaxar, se entreter com algo que não goste. Um filme chato por exemplo, vai fazer você ficar pensando em outras coisas. Mas um ótimo filme pra você, vai fazer com que você preste tanto atenção nele que esquecerá qualquer problema e isso tem a ver com imersão. Quando estamos conectados com alguma obra, nós estamos de fato conectados. As informações nela contidas nos são passadas e tendemos a pensar no que está acontecendo na obra e não com o que está acontecendo conosco.  Temporariamente, substituímos os pensamentos que regem a nossa vida pelas informações que a obra nos passa. É por essa razão que acredito que ficamos felizes quando algo de bom acontece em um filme. Estamos conectados. 

Há diversas mídias, e nelas, há diversos níveis de imersão. Temos desde jogos não-digitais como os RPGs a filmes. Eu considero os RPGs como um nível alto de imersão, pelo foco ser no role play (algo como encenação, "faz de conta"). O fato de você se colocar na pele de outra pessoa eleva muito a sua conexão com a obra. Contudo, dependendo do jogo, as coisas podem dar errado, e você acabar enfrentando problemas que não vão deixar o seu cérebro bem relaxado. Isso também acontece em filmes. Por exemplo: uma protagonista (que é quem acompanhamos durante a sessão) se mete em uma situação perigosa que nos aflige, nos deixa tensos, mas que logo depois, tudo dá certo e ela consegue se salvar. Quando ela finalmente respira, e relaxa, nós também fazemos isso (será que é por isso que a maioria dos(as) protagonistas têm o poder de serem praticamente imortais?). Porém, quando estamos no controle da situação, nós temos que agir, temos que pensar, temos que calcular, e isso não é tão relaxante as vezes. Histórias sempre acalmaram a nossa mente. Desde crianças, quando ouvimos alguém contando historinhas para dormimos, a adultos. 

A indústria de jogos tem trabalhado bastante nesse quesito. Jogos sempre entreterão as pessoas, mas para mantê-las jogando por mais tempo, consumindo mais, tiveram que usar a imersão com mais força. Desde jogos de RPG eletrônicos (como os MMORPGs) à jogos FPS (modo campanha ou história) foi-se investido muito em narrativas, mas também em gráficos, que consigo trazem mais realismo. Histórias mais complexas, mais realistas = mais imersão = consumo. Gráficos mais próximos da realidade = mais imersão = mais consumo. Junte os dois e terá um jogo capaz de prender uma pessoa por horas. Claro que isso não é uma fórmula geral para se fazer um bom jogo, e há muitos jogos que provam isso:

Para mim, Stardew Valley é um jogo completo: ele não necessariamente precisa ser uma história onde há um clímax ou de uma narrativa extensa. Depois de criarmos um personagem, já nos sentimos imersos, pois o jogo tenta nos colocar o mais próximo da realidade possível, para que assim, possamos sair dela por um tempo: ao criarmos um personagem baseado em nós, nos inserimos na história. A narrativa de uma vida monótona da cidade pode ser a realidade de muitas pessoas que geralmente trabalham e estudam para mudar de vida. Mesmo que você não seja assim, esta é uma sensação fácil de ser passada para pessoas que vivem na cidade. Mudar de vida é caro, delicado, e exige tempo, mas é ótimo poder ter uma experiência próxima sem precisar disso tudo. A transmissão da sensação de mudança quando nosso personagem decide abandonar tudo e ir viver no campo, faz com que acompanhemos ele e quanto mais jogamos, mais a conexão se fortalece, mais aquele personagem é uma expressão de nós mesmos. 


(Feirinha, um dos eventos do jogo)


Apesar de ser um jogo feito em pixel art (bits) os elementos de imersão estão muito presentes. As tarefas que exercermos não nos causa nenhuma dor de cabeça, o que dá uma sensação de prazer, pois estamos resolvendo problemas, estamos pensando, mas sem muita pressa e sem muita complexidade. O convívio com os NPCs (personagens do próprio jogo que não são pessoas) é bem amigável, apesar de haver alguns não tão simpáticos. Com o passar do tempo, desenvolvemos uma rotina no jogo, pois ele é baseado em dias. Acordamos cedo, assistimos ao telejornal para saber a previsão do tempo, assistimos ao canal do vidente para sabermos como está nossa sorte e vamos trabalhar. Regamos as plantas, colhemos, vamos ao mercado comprar coisas, pescamos, voltamos à noite, vamos a uma taverna, encontramos amigos e depois vamos para casa dormir (algo parecido com a nossa própria rotina?). E isso tudo com uma ótima trilha e efeitos sonoros (como o de pássaros e o som do mar). Sem contar que nunca temos um dia igual ao outro, por mais que sejam parecidos (algo parecido com a nossa própria rotina?²). As vezes coisas imprevistas acontecem e isso é muito legal. Nos programarmos para fazer algo e conseguirmos fazer tudo dar certo, causa uma ótima sensação, diminuindo níveis de ansiedade, acredito eu, pelo menos foi o que senti. Desde uma vida cheia de deveres, até uma sem nenhum, ter aquela sensação de dever cumprido é um pouco difícil. Sem termos boas sensações, nossa saúde mental pode ser prejudicada, e este jogo funciona como um incentivo ao nosso cérebro para produzirmos essas sensações. E é impressionante como a ausência delas acaba nos desmotivando a exercer atividades que em tese gerariam elas, mas como o jogo quebra esse vício que temos de ver a vida de uma maneira ruim, abrimos os olhos para a ela novamente. 



Muito obrigado pra quem leu até o final. Espero ter sido o mais claro possível. Comentem sobre o que acharam. Qualquer crítica ou opinião (principalmente as contrárias) são extremamente bem vindas!

Ah! E se vocês já tiverem tido uma experiência semelhante com outros jogos(ou com qualquer outra mídia de entretenimento) não se esqueçam de compartilhar comigo :) 

'Get Lucky' e o próximo estágio de evolução da espécie humana



Muitos filmes de ficção científica retratam a vida humana fora da terra. Esse é um conceito que eu gosto bastante e que, consequentemente, está presente nos meus filmes preferidos. A ideia de sair do sistema solar e explorar novos planetas em busca de um capaz de suportar a vida terrestre tem sido um enredo presente em muitas obras e nunca se torna enjoativo, pelo menos não para mim. A ficção científica está sempre de olho no que a ciência diz, principalmente sobre teorias. Pode parecer mais um cenário de filme ou série sci-fi, mas o falecido Stephen Hawking, físico teórico e cosmólogo britânico, um dos mais consagrados cientistas do século, avisou que temos apenas por volta de 100 anos para deixar a Terra. Segundo ele, epidemias, crescimento populacional desordenado, mudanças no clima e colisões com asteroides estão entre as possíveis causas da nossa necessidade em abandonar o planeta.

São discutidos mundos candidatos a abrigar nossa terrível e destruidora espécie. Dentre milhões de planetas que estão em zona habitável no universo, nosso vizinho Marte tem se destacado bastante. Ele não é exatamente o melhor mundo para nos abrigar, mas é, de longe, o mais perto. O planeta vermelho realmente é um ótimo candidato, mas para torná-lo habitável como a Terra, ele precisaria passar por um processo de terraformação. Consideremos que esse processo de fato funcione. Ainda assim, modificar o campo magnético, bem como a atmosfera e topografia de um planeta, é um processo que deve levar muito tempo e como já fomos alertados por Stephen Hawking, talvez não tenhamos esse tempo. As chances não são muito otimistas. Por isso, outras alternativas são consideradas, inclusive a de encontrarmos um planeta extremamente parecido com a Terra. A sonda/telescópio espacial Kepler, procura exoplanetas, que são basicamente planetas que orbitam uma estrela que não seja o sol. É como se procurássemos sistemas solares e seus mundos. Encontramos e podemos encontrar mais planetas em zona habitável, assim como Terra e Marte. 

Imaginemos agora que encontremos um planeta igual a Terra; capaz de abrigar nossa existência. Ainda sim teríamos dois grandes problemas: 


Transporte: se todos nós nos mobilizássemos para sair da Terra, ainda assim teríamos problemas com transporte. Transportar coisas em uma nave seria caro em relação a recursos. Então, uma alternativa seria fazer paradas em alguns planetas e luas, para podermos coletar recursos até chegarmos em nossa nova casa. Mas essa nave teria de ser muito bem projetada, pois serviria de lar por muitas gerações: as pessoas que se mobilizariam para sair da Terra e ir até esse novo planeta não seriam as mesmas que viveriam nele, e sim seus descendentes, pois mesmo que viajássemos na velocidade da luz, demoraríamos 720 anos para chegar em um planeta como esse. Socialmente falando, isso não seria um grande problema, mas teríamos que coletar muitos recursos, como comida e oxigênio, para várias gerações. O que provavelmente seria quase impossível e teríamos que fazer paradas que atrasariam ainda mais a nossa chegada, consumindo mais recursos, e talvez entrássemos em um loop infinito de irmos atrás de recursos para sobreviver, e uma hora talvez, pereceríamos. Há também a criogenia, que consiste em congelar um organismo para revivê-lo tempos depois. Ela é uma boa solução, pois pouparíamos muitos recursos e poderíamos fazer uma viagem mais direta.



Vírus e bactérias: Supondo que tudo desse certo e conseguíssemos chegar bem nesse novo planeta, ainda teríamos que nos preocupar com os organismos que vivem nele. Pois se estamos a procura de um planeta parecido com a Terra, temos de lidar com o fato de existir vida nele, como animais e plantas. O contato com novas espécies poderiam nos trazer doenças, que dificultaria bastante nossa luta pela sobrevivência. Então, antes de um contato, teríamos que estudar aquele planeta e seus organismos para desenvolver vacinas contra vírus e bactérias. Mas esse é o cenário mais otimista, pois poderíamos encontrar doenças que levariam anos para que desenvolvêssemos uma vacina pra ela.

Como eu tentei deixar claro, tratei desses dois problemas com o cenário mais otimista possível. Agora pensem nas chances dessas opções falharem e procurem o motivo por trás disso. 

Pensaram?

Nessa situações, os problemas que são apresentados são os relacionados ao nosso fator biológico. Nossos corpos são fracos e podemos morrer por vários motivos, desde simples até complexos. Muitas pessoas não acreditam na teoria da evolução porque, por exemplo, "o macaco não evolui mais". Mas o que essas pessoas não sabem, é que a evolução não é um processo simples e muitos menos rápido. Há também quem não acredite que estamos evoluindo, mas estamos sim e até rapidamente, mas de uma outra forma. Se olharmos a nossa história registrada, podemos ver diversas evoluções. Não criamos asas para voar como os pássaros, ou será que criamos?




Não criamos nadadeiras e um sistema respiratório subaquático para nadar como os peixes, ou será que criamos?




Esses são alguns exemplos de nossa evolução. Não biológica, mas sim intelectiva. Nossa inteligência está frequentemente evoluindo. Em relação ao nosso corpo, ficamos mais resistentes a doenças, mas a nossa anatomia não mudou nada. Essa parte de nós, a inteligência, fez com que sobrevivêssemos. O que costuma parar gênios(as) da ciência, não são problemas que são difíceis de resolver, mas sim o nosso fator biológico. Uma hora todos morremos, e para que todos os avanços que fizemos durante a vida não se percam, nós compartilharmos com o mundo, para que após a nossa morte, outras pessoas continuem o nosso trabalho. Mas nem sempre quem sucede as ideias consegue compreender e pensar da mesma forma. Por isso que, talvez, tenhamos uma perda na evolução intelectiva quando um(a) gênio(a) morre. 

Nós estamos evoluindo a ponto de criar os primeiros fragmentos de seres pensantes como nós. O campo de estudos de inteligência artificial tem avançado bastante. Como eu já havia dito antes, a nossa capacidade intelectiva, bem como a de evoluí-la, foi o que nos fez chegar onde estamos. Claro que só a capacidade de pensar não fez com que cheguemos até aqui. Os sentidos também tiveram um papel fundamental na nossa busca pelo desconhecido. E isso é uma coisa que, assim como inteligência, nós podemos "simular".

Se um dia, nós -- ou as nossas criações, uma vez que não esperamos que o ser humano tenha esta capacidade, mas que uma máquina tenha -- conseguirmos decodificar o cérebro humano, seremos capazes de digitalizar a mente humana e torná-la livre do fator biológico. Acredito que não seríamos simplesmente "robôs", mas sim humanos sem algumas limitações. Uma evolução na espécie. E é disso que eu acho que a música Get Lucky, de Daft Punk, fala.

Antes de mais nada, gostaria de dizer que acredito que não haja interpretações 100% certas sobre diversas obras. Como também acho que se alguma interpretação faz sentido, então ela não deve ser descartada. Não há somente uma certa. Então, antes que ache que eu viajei demais, considere isso.

Eu usarei a tradução da letra para melhor compreensão de todos, mas vez ou outra citarei a letra original se necessário for. Tente ler o texto ouvindo a música com a letra. 


"Como a lenda da Fênix

Tudo termina com começos"


A maioria das pessoas conhecem a lenda da Fênix. Basicamente, na mitologia grega, é um grande pássaro que quando morre, renasce das próprias cinzas. "Tudo termina com começos": como falei, acho que teremos uma grande evolução, mas que para isso teríamos de deixar de lado nossa parte biológica, ou seja, algo vai terminar, deixar de existir, mas que renasceremos com um novo começo. 


"O que mantém o mundo girando

A força do começo"


Na primeira frase, acho que não estão se referindo a força gravitacional, etc. Ela é bem subjetiva. Acho que é uma linguagem mais figurativa, como "o que faz a natureza funcionar". A própria evolução nos prova que é a forma com que as espécies se sustentam na natureza, se adaptando. Sem ela a natureza não iria se sustentar. Já na segunda frase, "A força do começo", que também é traduzida como "A força primordial", acho que dá outro exemplo do que é a evolução. Ela proporciona começos para as novas espécies.

Na primeira parte ele fala sobre recomeço, já na segunda ele fala sobre evolução. Uma recomeço com uma evolução. 


"Chegamos longe demais

Para deixarmos de ser quem somos"


Dentre todas as espécies da Terra, a Homo sapiens foi a única que conseguiu chegar onde estamos. Dominamos o planeta. Evoluímos nossa capacidade intelectiva a ponto de conseguirmos explorar novos mundos. Fomos longe demais para perecermos caso a extinção bata à nossa porta. Fomos longe demais para deixarmos de existir.

Há também outra interpretação minha sobre essa parte, que diz a respeito de explorações. É evidente que somos exploradores. Somos curiosos, gostamos de descobrir as coisas. Achamos um meio de nos estabilizar em um lugar e após um tempo procuramos novas terras, por muitas vezes, sem necessidade. Construímos embarcações para podermos explorar os mares, e hoje construímos sondas e foguetes para explorar o espaço. Chegamos longe demais, para deixarmos de ser quem somos: exploradores. 


"Então vamos elevar o nível

E erguer nossos copos às estrelas"


Vamos subir um nível na escala evolutiva. A segunda frase pode ter dois significados: "our cups to the stars", em inglês, há muitos significados, mas, em todos os sites de tradução que olhei, eles traduziram como "erguer nossos copos até as estrelas". "Até" é diferente de "Para". "Até" pode significar que iremos até as estrelas, que popularmente chamamos qualquer corpo celeste. Já "Para", pode significar que só apontaríamos nossos copos para elas. 

Essa parte, pra mim, fala que para irmos até às estrelas teríamos que evoluir, e isso é dito de uma forma otimista e motivadora, como se não encontrássemos nenhuma solução a não ser essa e estivéssemos apreensivos. 


"Ela fica acordada a noite toda, até o sol raiar

Eu fico acordado a noite toda para conseguir algo

Ela fica acordada a noite toda para se divertir

Eu fico acordado a noite toda para me dar bem

Ficamos acordados a noite toda, até o sol raiar

Ficamos acordados a noite toda para conseguirmos algo

Ficamos acordados a noite toda para nos divertirmos

Ficamos acordados a noite toda para nos darmos bem"


Como essa parte é o refrão, acho normal que fuja um pouco do que falava antes. Há duas interpretações minhas que se encaixam no contexto apresentado anteriormente. Então vou ordená-las, mas elas conversam entre si, então acho que não descartaria alguma.

1. Essa interpretação eu já tinha quando escutei a música pela primeira vez. Ela basicamente fala sobre sexo e sobre o que fazemos para conseguirmos ele. Get lucky(ter/conseguir sorte) significa "se dar bem"; conseguir sexo com alguém em inglês. O sexo para nossa espécie é essencial para conseguirmos evoluir e próspera-la. É algo natural, pois é assim que nos reproduzimos e damos continuidade a nossa espécie.

2. Dentro desse mesmo contexto, para mim, get lucky também pode significar evolução. Ter sorte, na natureza, pode significar encontrar um ambiente propício que possibilite a evolução da espécie. Sem uma epidemia que a mate ou sem um grande predador. Dito isso, contrariando um pouco a outra interpretação, "ficar acordados a tarde" pode significar esforço, uma vez que essa é uma prática que muitos estudantes usam quando precisam estudar para uma prova, por exemplo (não que seja saudável). "Ficamos acordados até tarde para termos sorte". Nós estudamos e trabalhamos muito para evitar nossa extinção. E fazemos isso para termos a sorte de sobreviver e evoluir mais uma vez.


"O presente não tem laço

Sua dádiva continua a ser dada"


Aqui, basicamente, ele diz que nós podemos mudar o futuro, pois o presente não tem laço com ele. Então, mesmo que nossa extinção seja anunciada, temos como mudar. E isso é dito de uma forma otimista e motivadora. 


"O que é isto que estou sentindo?

Se quiser partir, eu topo"


Nesses trechos, acho que ele fala sobre sexo mais uma vez e como ele é natural, quando diz "O que é isto que estou sentindo?". A força que move a espécie. Com "Se quiser partir, eu topo" acho que ele fala em como acompanhamos alguém quando queremos fazer sexo ele(a), seja por um noite, seja pela vida toda.

Após o refrão, Pharrell para de cantar e a voz marcante robótica do grupo começa. Mas, no começo ela só diz "We're up all night to get..."("Ficamos acordados a noite toda para...") repetidamente, até outra voz robótica completar com "back together"("voltarmos juntos"). "We're up all night to back together"("Ficamos acordados a noite toda para voltarmos juntos") pode se referir a relação de homem-máquina, inteligência artificial, como eu havia dito. Ficamos acordados até tarde, nós e as máquinas, trabalhando incessantemente, para superarmos a extinção e voltarmos das cinzas como a fênix, só que renascendo junto às máquinas. E note que isso é dito por uma voz robótica após uma voz humana cantar a maior parte da música. E claro, após isso, o refrão dizendo que fomos longe demais para deixar de ser quem somos é cantado, mais uma vez otimista e motivador, enquanto os robôs continuam cantando.

Sei que minha interpretação é bem viajada, e ela é pra ser mesmo, pois nada fica explícito nessa música. No mais, desconfie de uma música que fala sobre sexo feita por robôs. 

Agradecimentos ao canal Ciência Todo Dia por ter feito vídeos que facilitam o entendimento e a introdução de algumas questões que abordei no início do texto. Também ao canal Nerdologia por vídeos do mesmo tipo. E também à minha parceira, Letícia Sena, por ter me ouvido quando tive essa ideia e ter me ajudado com a edição do texto.

Muito obrigado pra quem leu até aqui! Fiquem à vontade para expor suas opiniões e comentar sobre o texto!

Seja bem vindo(a)!

Este é um blog totalmente pessoal. Eu gosto de falar sobre filmes, séries, jogos, livros e tecnologia, e vejo nesse blog uma forma de concretizar aquilo que falo sobre essas coisas. Sempre que possível farei críticas, resenhas, análises, darei dicas sobre diversas coisas e por aí vai. Não vou dizer o que vou fazer ou não, pois como disse, este blog é totalmente pessoal, então será normal que vez ou outra eu acrescente algo a mais para falar.
Meu nome é Johnnie, nasci em 10 de novembro de 1999(penúltimo mês do milênio hehe). Em Fortaleza, Ceará. Desde de criança sempre fui apaixonado por tecnologia e tudo que faz com que nosso pequeno mundo pareça cada vez maior aos meus olhos. Para fazer jus ao nome do blog, vou ser bem breve sobre meus gostos. Não costumo dizer que tenho algum jogo favorito, mas se posso citar “jogos que fazem parte de mim”, com certeza citaria: Pokémon Fire Red/Leaf Green, Skyrim 5 The Elder Scrolls V: Skyrim, Overwatch e Dota 2(vivemos uma relação de amor e ódio). Sobre filmes, vejo em Círculo de Fogo, Star Wars, O Senhor dos Aneis, Her e Interestellar, ótimos representantes de meu gosto por filmes. Sobre séries, Game Of Torones Thrones, Stranger Finks Things e Supernatural são séries que acompanho e gosto bastante. Incluindo um pouco no âmbito das séries, posso citar animes que considero os meus preferidos. Estão entre eles: Shingeki no Kyojin(Attack on Titan), Fullmetal Alchemist, Pokémon(esse marcou muito minha vida de modo que eu não estaria escrevendo isso se não fosse esse anime) e Dragon Ball(todos, e sim, até o GT, pros haters), apesar de não estar acompanhando DBS. Quando falo em livro, penso em literatura no geral, então, leio desde livros que promovem sempre uma reflexão que é o caso de O Mundo Assombrado pelos Demônios(Carl Sagan), até quadrinhos, em especial de Os Vingadores. Apesar de não ter lido muitas sagas, Percy Jackson foi a saga que me introduziu na literatura e fez com que eu tivesse o hábito de ler. Ultimamente tenho me interessado por ciência, depois de ter começado a assistir a série Cosmos, mas me considero apenas um admirador. Óbvio que eu gostaria de falar muito mais sobre mim, mas esse texto ficaria gigante e vocês me conhecerão melhor lendo o blog no futuro. Bom, agora que sabem um pouco sobre mim, posso falar um pouco sobre os projetos que tenho para o blog.

Farei desse blog muito versátil. É sério, você poderá voltar aqui porque leu uma matéria sobre Hearthstone, e encontrar aqui matérias do tipo “A reflexão sobre humanidade proposta em Her”, ou “Como comprar um Nintendo DS por menos de 150 reais”. Contrariando o “blog pessoal”, pode ser comum que, vez ou outra, eu convide algum(a) amigo(a) para falar sobre determinado assunto comigo. Também tenho um projeto de fazer um podcast do blog. O primeiro nome que me veio a mente foi “PODNOCAST”. Além de ter matérias sobre determinados assuntos no blog, também penso em fazer esse podcast conversando com outras pessoas sobre esses assuntos, de forma natural e espontânea. O nome “PODNOCAST” me veio à mente quando pensei em criar um podcast que não tivesse muitas regras — como eu disse, algo bem espontâneo e natural —, então a ideia seria como “essa discussão podnocast(pode no cast)”.


É isso pessoal. Não sei se o texto ficou claro, então qualquer dúvida postem aí nos comentários que terei o maior prazer em responder. Aguardem que nos próximos dias começarei a postar. Obrigado!